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  • Sobre a Aplicação do Acordo Ortográfico - Acordo Ortográfico - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    pronúncia correta nem o sentido das palavras distinguimos gelo substantivo com a vogal fechada de gelo verbo com a vogal aberta colher substantivo aberto de colher verbo fechado E que sentido faziam as consoantes não pronunciadas em óptimo eléctrico ou ecléctico se lá estava e está um acento agudo bem visível Tudo isto antes do AO quando se sabia que nos casos de ambiguidade o contexto ajudava a desambiguizar É o que agora se passa Num outro plano importa dizer que ao contrário do que tem sido afirmado em explanações incompletas e suportadas por contagens defeituosas com o AO não aumentam os casos de dupla grafia Os novos casos são largamente compensados pelos muitos que desaparecem quando se comparam as grafias usadas no Brasil e em Portugal e também noutros países de língua oficial portuguesa Para não entrar em pormenores fastidiosos remeto para o artigo de Jorge Candeias Para mal de alguns os números não mentem jornal Público de 25 de fevereiro passado e para o sítio eletrónico Lâmpada Mágica Isto significa que muitos dos problemas levantados pelo AO de novo sem deixar de se notar que ele não é perfeito são artificialmente empolados por argumentos emocionais e às vezes por interpretações fundamentalistas exclusivistas do género a língua é nossa não dos brasileiros e mesmo desinformadas Já foi possível encontrar comentários jocosos ou escandalizados vindos de personalidades tidas por influentes em órgãos de comunicação social com larga audiência a propósito da palavra facto e da sua alegada mudança para fato à brasileira foi o que lemos e ouvimos há não muito tempo no semanário Expresso que curiosamente já segue o AO e num noticiário da RTP1 que também cumpre o AO Parece estranho e é ter que repetir com o AO facto continuará a escrever se daquele modo pela simples razão de que daquele modo se pronuncia Esta é aliás uma das vantagens inquestionáveis do AO com efeitos inegáveis no plano da aprendizagem da escrita a sua orientação vai no sentido de privilegiar uma grafia tendencialmente fonológica isto é escreve se o que se pronuncia ressalvada evidentemente a convencionalidade relativa que sempre existe na passagem da fala para a escrita Se existem alunos que se queixam do AO significa isso uma de duas coisas ou talvez até as duas que estão mal informados por professores que desrespeitam normativos que o ensino oficial a que estão vinculados estabeleceu já se pensou qual seria o resultado se os professores além disso pusessem em causa os programas das disciplinas ou que esses alunos não estão ainda rotinados nos hábitos de escrita que o AO determina Não há como negar que alguns dos problemas encontrados pela aplicação do AO resistências tentativas de retrocesso argumentações enviesadas decorrem da tibieza com que salvo raras exceções este assunto foi tratado em Portugal por sucessivos Governos desde a aprovação do referido AO Sendo certo que esta é uma matéria melindrosa e controversa preferiu se adiar amenizar e contemporizar em vez de se explicar claramente pelas vias e com

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  • Acordo Ortográfico: um homem mordeu um cão - Acordo Ortográfico - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    com esgazeada ansiedade É isto significativo para desdramatizar porque o que está em causa é uma dramatização a questão do AO Claro que sim Aquilo que contribui para a estabilização possível do idioma e para a naturalização das suas mudanças é o uso disseminado não as sensibilidades de quem tem acesso a caixas de ressonância disponíveis O AO tem incongruências a reparar Claro que tem A grande notícia é esta a nossa língua já antes do AO de 1990 registava incongruências no plano da grafia e noutros também E as diferenças entre variantes nacionais existem noutros grandes idiomas no inglês no espanhol ou no francês espalhados pelo mundo os tais que não têm um acordo ortográfico argumento que já tive oportunidade de desmontar Essas são as limitações da congénita imperfeição que afeta produtos humanos como as línguas que falamos e escrevemos Para atalhar a imperfeição regulamos a língua até onde isso é possível sem que tal signifique mutilar singularidades A ortografia é um dos domínios onde isso é feito sempre o passado mostra o bem com resistências porque aí a mudança atinge a epiderme da língua é uma metáfora claro Voltámos a isto porque o Brasil decidiu prolongar por algum tempo o período de transição para a vigência obrigatória do AO mas manteve o em vigor Só isso O que lemos em artigos inflamados Que o Brasil suspendeu recuou cancelou e outras coisas semelhantes Isto é sério Por mim pude testemunhar durante um ano em que vivi no Brasil que o AO está bem e recomenda se por aquelas terras Foi generalizadamente adotado não suscitou histerias ninguém rasgou as vestes Falta Angola claro esse país que alguns agora olham como um modelo de sensata democracia cultural Pois bem Angola acabará por aderir ao AO talvez a recente decisão brasileira tenha

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  • A Defesa da Língua ou a Língua como Defesa - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    peculiaridades formais de cada língua condicionam as categorias culturais e cognitivas que regem os modos de pensar e de representar o mundo só esse relativismo linguístico pode talvez amenizar os riscos nacionalistas que a blague fradiquista e o individualismo de Bernardo Soares induzem 3 Derivo destas considerações quase preambulares para outras questões diretamente relacionadas com o tema que aqui trago O que me levará a realçar a dimensão patrimonial da língua portuguesa a sua afirmação como elemento axial da afirmação dos Estados que lhe conferem o estatuto de língua oficial os atos e as iniciativas que defluem de um entendimento político da língua e ainda a minha convicção de que o idioma pode ser encarado como singular instrumento de defesa no quadro de um mais vasto conceito estratégico nacional que outros que não eu tratarão de definir e caracterizar Afirmo que a língua é um bem simbólico e parte do património imaterial de um povo certo de que a noção de bem se desdobra em dois sentidos um sentido jurídico económico que sublinha o princípio da riqueza ou do ativo a preservar e a valorizar um sentido ético axiológico que acentua no bem a sua condição de fator de enriquecimento humano comunitário e identitário de certa forma e em resumo fator de felicidade Para além disso referir a dimensão simbólica do idioma numa aceção muito próxima do pensamento de Pierre Bourdieu é reconhecer nele a capacidade para afirmar e legitimar significações para funcionar como instrumento de integração social de manutenção e de reprodução de uma ordem estabelecida Por isso falamos frequentemente no poder da língua e sem exagero reconhecemos que quem a domina pode chegar a dominar o mundo A História ensina que isso mesmo tem acontecido às vezes sob o signo do excesso e da opressão política e disciplinas como a retórica e sobretudo a oratória intervêm com frequência e reconhecida eficácia instrumental em processos e em propósitos de apropriação do poder Os mesmos propósitos de apropriação que para que conste hoje vão muito além do uso da língua só por si pois que a integram ia a dizer dissolvem nas sofisticadas linguagens da comunicação social dos media da imagem e das redes em linha Antes ainda de indagar o que leva a que se diga de uma língua que ela é língua de poder e não só língua do poder recordo muito brevemente que ao longo dos tempos e sob diversas roupagens os dois poderes que têm conduzido os destinos da Humanidade o poder político e o poder religioso às vezes em regime de cumplicidade estreita ou mesmo de fusão têm recorrido ao poder da palavra como instrumento de representação e de persuasão Uma disciplina dos estudos literários e dos estudos linguísticos como a pragmática trata de analisar na esteira de um legado metodológico provindo da retórica o potencial de transformação do mundo e de condicionamento dos comportamentos humanos que os atos discursivos encerram E é com a consciência disso mesmo que os sistemas de ensino cuidam ou dizem que cuidam do ensino da língua como etapa e componente estruturante da formação do sujeito incluindo se nessa formação a aquisição de instrumentos linguísticos e translinguísticos de conhecimento do mundo Por fim é ainda o poder da palavra que se impõe quando outros discursos que não o discurso crítico ou o discurso académico incorporam a palavra literária como emblema de legitimação cultural e política E assim citar um escritor renomado dá ou parece dar vigor e densidade ao discurso que acolhe a citação mesmo que ela seja tão estafada e deturpada como a famosa a minha pátria é a língua portuguesa 4 Não entrarei aqui na evocação minuciosa do que é sabido e está por demais estudado ou seja que a constituição o alargamento e a defesa de espaços políticos amplos não se decide apenas em função de instâncias militares económicas ou jurídico administrativas Basta lembrar que a expansão do latim na Europa está associada a uma dinâmica imperial que dá consistência à bem conhecida asserção segundo a qual uma língua é um dialeto apoiado por um exército Noutros termos mas não com outra lógica é aquela dinâmica que responde a uma pergunta formulada pelo Prof Vítor Aguiar e Silva O que explica que línguas europeias como o espanhol o português o inglês e o francês se tivessem tornado línguas transnacionais e transcontinentais Não foram fatores de ordem intrinsecamente linguística foram fatores de ordem política a construção de impérios coloniais com as suas vertentes militares religiosas económicas e civilizacionais A língua do poder imperial foi um fator de coesão e de regulação das esferas administrativa judicial e escolar foi um instrumento de evangelização de aculturação e de intercâmbio de bens económicos 4 Na história das línguas europeias e em particular na das línguas novilatinas manifesta se do século XIV em diante uma tendência vernaculizante que tem em Dante e em Petrarca protagonistas ilustres antes ainda de se chegar à explícita associação da ilustração da língua ao poder do Estado Quando António de Nebrija escreve a sua famosa e pioneira Gramática de la lengua castellana publicada no ano crucial de 1492 fica clara a convicção declarada pelo autor à rainha Isabel a Católica em tom programático de que sempre a língua foi companheira do império 5 menos de meio século depois em 1536 o nosso Fernão de Oliveira relacionava diretamente duas expansões a marítima e também políticoeconómica e a da língua portuguesa a ensinar nos lugares descobertos6 noutro tom que não com muito diferente intuito o doutrinador da Pléiade Joachim Du Bellay declarava em 1549 que a defesa e ilustração da língua francesa era empresa à qual rien ne m a induit que l affection naturelle envers ma patrie 7 Relaciona se com esta doutrina uma doutrina que é indissociável de uma poética e de uma prática literária fortemente ancoradas nos valores humanistas da época a configuração de um tipo de poeta consciente da sua responsabilidade de esteio difusor da língua É o caso de António Ferreira ao proclamar um novo canto e uma lira nova num texto dos seus Poemas Lusitanos mesmo publicados postumamente em 1598 já em tempo de união das coroas ibéricas e até com dedicatória do editor ao Príncipe D Filipe nosso senhor os Poemas Lusitanos incentivam a que se cantem portuguesas conquistas e vitórias com recurso ao potencial glorificador e de evocação memorial da língua Renova mil memórias Língua aos teus esquecida Sê para sempre lida Nas Portuguesas glórias Qu em ti a Apolo honra darão e a Marte 8 Foi Camões quem o fez nos termos geniais da sua grande epopeia mas não sem estabelecer um paralelo em que está plasmado um conceito de poeta para quem o empenhamento na guerra patriótica e a devoção à língua a língua como poesia apontavam afinal para uma espécie de poder bifronte Pera servir vos braço às armas feito Pera cantar vos mente às Musas dada diz o poeta Um poder que para o ser carecia todavia da legitimação política que a dedicatória ao monarca atestava e que os versos que vêm depois confirmam Só me falece ser a vós aceito de quem virtude deve ser prezada 9 5 Os fundamentos e os componentes estruturantes de uma política de língua conjugam pelo menos quatro noções basilares Em primeiro lugar a noção de que a língua é um fator de afirmação e de congraçamento comunitário tenha este último uma feição nacional ou uma dimensão transnacional lusófona no que ao caso do português diz respeito Em segundo lugar a noção de que a defesa do idioma envolve da parte do Estado uma responsabilidade formativa não apenas visando os nativos mas também os que fora das fronteiras nacionais o não são o que leva a que se fale neste último caso de política de internacionalização Em terceiro lugar a noção de que a língua constitui um tema de análise de descrição e de sistematização que é sustentáculo daquela responsabilidade formativa pela via dos instrumentos dicionários gramáticas monografias académicas etc produzidos num campo de investigação ou a partir dele hoje com claro reconhecimento institucional e que é o dos estudos linguísticos Em quarto lugar a noção de que a defesa da língua é parte de uma mais ampla estratégia de defesa nacional contribuindo para ela com os componentes de agregação comunitária e de racionalidade científica que ficaram referidos É neste último sentido que digo que a defesa da língua conduz à postulação da língua como defesa Por razões históricas e também ideológicas que agora não aprofundarei o século XIX foi um tempo decisivo para a institucionalização e para a progressiva democratização do estudo da língua bem como para a consciencialização da sua relevância cultural política e social para além da pedagógica já então efetiva Pode mesmo falar se conforme recentemente foi feito no desenvolvimento oitocentista das ideias linguísticas um desenvolvimento ilustrado pelo labor de gramáticos de lexicógrafos e de pedagogos como António de Moraes Silva Jerónimo Soares Barbosa Caldas Aulete Epifânio da Silva Dias ou Adolfo Coelho 10 E uma parte importante do ardoroso labor intelectual de uma figura com mais méritos do que aqueles que a geração de 70 lhe reconheceu refiro me a António Feliciano de Castilho centra se na língua portuguesa e no método de a ensinar 11 Num plano distinto os dois nomes capitais da nossa história literária oitocentista e da renovação da língua literária que a partir do romantismo se vai processando refiro me a Garrett e a Eça colocam a defesa do idioma em relação direta com a questão da contaminação linguística equacionada enquanto aspeto saliente da sua vitalidade Contra o policiamento de uma língua entrincheirada numa rígida vernaculidade Garrett critica os ilustres puritanos que têm conseguido levar a língua à decrepitude para a curar de suas enfermidades francesas 12 e Eça tantas vezes acoimado de afrancesado confia a Fradique Mendes a tarefa de elaborar um devastador retrato satírico do purista ao mesmo tempo que aponta nos seus críticos marcas do mesmo estrangeiramento linguístico de que o acusavam 13 Como quem diz defender o idioma não é fechá lo sobre si mesmo defender o idioma é aceitar a sua interativa coexistência com outras línguas de cultura e com os influxos que essa coexistência inspira e defender o idioma é também entender a sua constante evolução sem prejuízo da legítima função reguladora desempenhada por instrumentos e por agentes que são responsáveis em última instância pela manutenção do rosto identificador da língua e pela sua condição de veículo de expressão dos afetos e de representação das coisas e das ideias É também essa função reguladora enquanto garante da capacidade de modelização do mundo e de comunicação interpessoal que são próprias da língua que o sistema de ensino procura ou deve procurar assegurar Mas não só ela O sistema de ensino só contribuirá ativamente para a defesa da língua e também para a sua consolidação como língua de defesa no sentido que já aqui aflorei se contemplar quatro eixos de atuação que são também quatro facetas da existência social do idioma eixos que não podem evidentemente ser equacionados de forma isolada Em primeiro lugar o eixo da experiência humana onde se situa a tensão entre a individualidade e a comunidade com os correspondentes procedimentos de integração a correlação do sujeito linguístico com uma identidade nacional configurada em várias instâncias e em múltiplos discursos insere se neste eixo de atuação o mesmo acontecendo com a relação que ele estabelece com variações socioletais dialetais ou nacionais p ex o português do Brasil bem como com minorias linguísticas Em segundo lugar o eixo da comunicação linguística dominado pela interação do sujeito linguístico com os outros seja pela prática da oralidade seja pela prática da escrita os processos de ajustamento dos atos comunicativos a contextos específicos e a ponderação dos fins que esses atos têm em vista são aspetos particulares daquela interação Em terceiro lugar o eixo do conhecimento linguístico de um modo geral centrado na progressiva capacidade de descrição sistémica da língua e na sua utilização proficiente e continuada é aqui que se encontra o domínio de regras gramaticais que conferem ao sujeito linguístico um índice elevado de consciência do funcionamento da língua em direta conexão com a observação do erro como derrogação da norma Em quarto lugar o eixo do conhecimento translinguístico remetendo para a relação da língua com a aquisição de outros saberes a que ela dá acesso e que por seu intermédio são representados nesse sentido a aprendizagem da língua conduz à estruturação de um pensamento próprio por parte do sujeito linguístico e à configuração de todo o conhecimento em geral incluindo o acesso a práticas e a bens culturais que pelo idioma e no idioma se afirmam e sedimentam Uma estratégia de defesa da língua envolve necessariamente o empenhamento de um sistema de ensino e de um desenho curricular que atente pelo menos naqueles quatro vetores considerados de forma articulada Mas ela requer também a ponderação de outros planos de intervenção que definem quem e como nessa estratégia está implicado Um desses planos aquele que agora desejo contemplar é o que se refere à dimensão comunitária da língua uma dimensão que no caso do português se decide em dois níveis no nível da nação individualizada entendida como comunidade política e social servida pela língua na condição de idioma oficial ou apenas veicular em todo o caso interferindo diretamente em procedimentos de autognose e de identificação coletiva às vezes controversos e mesmo traumáticos deste ponto de vista um falante de português numa cidade de Portugal vive a língua oficial e de escolarização e reconhece se nela em termos inevitavelmente distintos de um angolano ou de um moçambicano para quem o português sendo embora língua oficial do Estado é também língua veicular em cenários dialetais muito diversificados Num segundo nível o português é idioma coletivo de uma comunidade de países alargando se os movimentos de identificação que na língua se resolvem ao amplo universo da chama lusofonia nesse universo o que está em causa é não só o conhecimento do outro em português mas também o reconhecimento do português do outro 6 Sou deste modo conduzido a reflexões quase finais que convocam a questão do poder da língua em conjugação com a da internacionalização do português e com o problemático conceito de lusofonia um conceito cuja pertinência operativa e cuja agudeza heurística devem ser submetidas a uma indagação desapaixonada Sendo assim e tendo em atenção a questão da internacionalização bem como a correlata questão do poder da língua formulo desde já três asserções Primeira asserção a língua portuguesa constitui um instrumento de afirmação estratégica que transcende a estrita dimensão da esfera linguística Segunda a projeção internacional da língua portuguesa não corresponde neste momento à dimensão do seu universo de falantes Terceira uma política de língua exige esforços de diversos protagonistas em Portugal bem como a intervenção de outros países no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa A noção de internacionalização da língua portuguesa reporta se aqui a um processo político de afirmação de consolidação e de diversificação funcional da língua na cena internacional em confronto e disputa não o esqueçamos com outras línguas Utilizado em países estrangeiros e não lusófonos o português não deve encerrar se em funções convencionalmente culturais e académicas estendendo se às utilizações que garantem o prestígio de uma grande língua de cultura ciência Internet tradução e interpretação negócios etc Um tal processo convoca para além dos agentes políticos que o Estado define para esse efeito muitos outros atores e entidades e exige um trabalho persistente e com ponderação estratégica nele intervêm iniciativas e instrumentos muito distintos indo do ensino da língua à formação de professores da diplomacia às intervenções em comunidades portuguesas e de luso descendentes das atuações em áreas geolinguísticas de crescimento da língua portuguesa às que visam áreas geolinguísticas onde o nosso idioma está em regressão Em meu entender a noção de internacionalização da língua portuguesa implica ainda a ínsita articulação da língua e da cultura sendo esta última entendida como instância de afirmação de valores de imagens e de sentidos de identificação nacional É nessa instância que se modela uma herança histórica plasmada em diversos campos com multissecular vitalidade literatura teatro pensamento música etc mas é também nela que se inscreve um vasto leque de práticas e agentes do nosso tempo desporto e desportistas agentes económicos comunicação social moda design artes plásticas arquitetura cinema etc umas e outros portadores de uma imagem de dinâmica modernidade que deve ser valorizada Ao que fica dito acrescento que já por várias vezes tive oportunidade de me referir ao destino internacional do português como grande idioma de cultura através da seguinte expressão o poder da língua particularmente no quadro alargado da sua dimensão plurinacional e pluricontinental só será efetivo quando o português conseguir ser uma língua de poder Digo isto a pensar por exemplo no que é a e no que faz a hegemonia global e planetária do inglês e assim é bem sabido que o esmagador poder linguístico do inglês é sobretudo um efeito de outros poderes que impulsionam e ampliam aquele poder linguístico o poder político o poder económico o poder tecnológico o poder cultural etc Numa palavra o poder A este propósito ainda há não muito tempo pude ouvir uma reflexão sobre a língua portuguesa a sua afirmação internacional os caminhos que ela deve seguir e os aliados que há de atrair em particular no conjunto de países que se acham religados pelo comum e estratégico desígnio de uma tal afirmação internacional Refiro me a palavras proferidas pelo Prof Adriano Moreira num colóquio que teve lugar em Santiago de Compostela palavras próximas daquela minha expressão o poder da língua depende também daquilo que a língua do poder quiser e puder fazer Sem essa instância que é a da consciência política e também a das decisões que a acompanham torna se difícil que o português alguma vez transcenda as fronteiras diáfanas do espaço de desejo em que a política de língua tantas vezes tem estado confinada Ou seja o cenário em que

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  • Edição e produção - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    Mário Costa Coordenador executivo Carlos Rocha Colaboradores permanentes João Marinheiro Correia e Olímpio Marques Revisão Rui Gouveia Consultores Ex Colaboradores Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons FAÇA O SEU DONATIVO Ciberdúvidas Quem Somos Equipa Prémios Endereços úteis Contactos Patrocinadores e Parcerias Quem Somos Este é um espaço de esclarecimento informação debate e promoção da língua portuguesa numa perspetiva de afirmação dos valores culturais dos oito países

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  • Prémios - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    da Língua Portuguesa já recebeu as seguintes distinções Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons FAÇA O SEU DONATIVO Ciberdúvidas Quem Somos Equipa Prémios Endereços úteis Contactos Patrocinadores e Parcerias Quem Somos Este é um espaço de esclarecimento informação debate e promoção da língua portuguesa numa perspetiva de afirmação dos valores culturais dos oito países de língua oficial portuguesa fundado em 1997 Na diversidade de todos o

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  • Endereços úteis - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    Digital Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa Dicionários de outras línguas Dictionaire Gaffiot latin français Dicionário da Língua Espanhola da Real Academia Espanhola Dicionário de catalão em catalão Trésor de la Langue Française em francês Dicionário de italiano Treccani em italiano Dicionário de romeno em romeno English Made in Brazil Oxford English Dictionaries Oxford University Press Merriam Webster inglês americano Duden alemão Diversos Associação Portuguesa de Linguística Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa Camões Instituto da Cooperação e da Línguas Centro de Linguística da Universidade do Porto Código de Redação Interinstitucional Conversor Ortográfico ILTEC Instituto Internacional da Língua Portuguesa Linguateca Museu da Língua Portuguesa Observatório da Língua Portuguesa Portal da Língua Portuguesa ILTEC CELGA Temas de Cultura Vidas Lusófonas Pórtico da Língua Portuguesa Só Português Galego Dicionário da Real Academia Galega Dicionário Eletrónico Estraviz Portal Galego da Língua Instituto da Língua Galega Tesouro do léxico patrimonial galego e português Gramáticas Diversos Brasil FLIP Portugal Gramática Básica do Português Contemporâneo Infoescola Moderna Gramática Portuguesa de Evanildo Bechara Literatura Portuguesa Projeto Vercial Universidade do Minho Numeração romana Numeração romana Universidade dos Açores Pedagogia Sítio dos Miúdos Português comparado Diferenças entre o Português de Portugal e o do Brasil Português para estrangeiros Camões Instituto da Cooperação e da Línguas Cibercursos da Língua Portuguesa CIAL Faculdade de Letras da Universidade de de Lisboa Sociedade da Língua Portuguesa Processamento Computacional do Português Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada Instituto de Linguística Teórica e Computacional CELGA ILTEC Pronúncia A Pronúncia do Português Europeu Oralidade Variações e Sotaques do Brasil Prontuário Sonoro da RTP Revistas Língua Portuguesa O Lingua Revista Digital sobre Tradução Sinónimos e antónimos Vários Sítios blogues e páginas na internet Funções sintáticas Linguageiro Linguagista Linguateca Língua à portuguesa Língua Portuguesa perguntas e respostas Livro de Estilo Origem da Palavra Site de

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  • Professores com destacamentos renovados para o Ciberdúvidas e a Ciberescola da Língua Portuguesa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    portal de Língua Portuguesa Ciberdúvidas retomou o serviço de esclarecimento regular de dúvidas resolvido que foi o destacamento de um professor por parte do Ministério da Educação e Ciência disse à Lusa o seu coordenador José Mário Costa afirmou que a questão foi já ultrapassada e está resolvida o professor Carlos Rocha foi colocado e retoma as suas funções Segundo informação do portal Carlos Rocha tem sido em dedicação exclusiva o coordenador executivo deste espaço de esclarecimento informação e debate à volta da língua portuguesa de acesso gracioso e sem fins lucrativos Em nota divulgada na página oficial na Internet o Ciberdúvidas esclarecia na sexta feira 26 09 que foi obrigado a interromper as suas atualizações regulares por não poder contar ainda com a renovação do destacamento por parte do Ministério da Educação do professor Carlos Rocha A página do Ciberdúvidas na Internet mantém disponível até à data um arquivo com mais de 40 000 respostas e textos sobre língua portuguesa O portal Ciberdúvidas foi criado em janeiro de 1997 pelos jornalistas José Mário Costa e João Carreira Bom como espaço de esclarecimento informação debate e promoção da língua portuguesa mas foi sofrendo ao longo dos anos mais recentes de falta de apoios financeiros Em 2012 a falta de mecenas para apoiar o projeto acabou por chegar ao parlamento português com José Mário Costa a fazer uma exposição aos deputados sobre as dificuldades da manutenção do portal NL SS VC Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons FAÇA O SEU DONATIVO Atualidades Montra de Livros Notícias Textos Relacionados Ciberdúvidas retoma o seu funcionamento regular Aberturas 2014 09 26 Ciberdúvidas forçado a interromper as suas atualizações regulares Aberturas 2014 09 22 SOS Ciberdúvidas Notícias 2013 07 02 Interpelação do Bloco de Esquerda sobre o risco de encerramento do

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  • Amigos do Ciberdúvidas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
    é que infelizmente ainda não podemos conjugar os verbos no pretérito Continuamos a precisar do apoio de todos os que se queiram juntar a este gesto simples não deixar morrer o Ciberdúvidas Os que usam amam cultivam a língua portuguesa não vão desistir Ciberdúvidas também não Orgulhamo nos do contributo e da atenção de todos estes amigos cujos nomes 1 fazemos questão de aqui ficarem registados como público tributo do Ciberdúvidas para com eles Alípio de Freitas José Estrela Ana Cardoso Pires José Manuel Guerra Ana Cláudia Jorge Lorenzo Salvioni Ana Falcão Bastos Luciano Eduardo de Oliveira Ana M Neves Luís Filipe Rocha Angela Zanetti Luís Catela Leitão António Correia de Pinho Luís Marques António Pedro Braga Luís Miguel Nunes Serra da Silva Arlindo Branco Leitão Manuela Mendes da Costa Bruno Machado Dray Maria da Luz Moita Carlos Alberto Faraco Maria Guadalupe Magalhães Portelinha Carlos Lago Maria Helena Coito Carlos Palma de Miranda Maria Inês Rodrigues Carlos Patrício Braga Maria José Sola Bravo Carmo Faro Maria Manuela Soares Catarina Pereira Leitão Mariana Matias Cecília Cordeiro Micael Faria Domingos Lopes Nicole Laurens Guilherme da Silva Arroz Paula Fonseca Helena Mascarenhas Ribeiro Cardoso Isabel Maria Lopes de Sena Ricardo Freitas Isabel Salavisa Susana Romeiro Joana Oliveira Victor Bandarra João Duarte Virgínia Paiva João Freire Vítor Carneiro João Pinheiro de Almeida Wilson Muller José Gomes 1 Nem todos os nomes ficam aqui registados por ter sido essa a vontade expressa de alguns amigos doadores do Ciberdúvidas Manifestamos ainda o nosso agradecimento a Ana Rita Gonçalves e a Em í dio Fernando pelo apoio financeiro ao Ciberdúvidas noutras ocasiões Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons FAÇA O SEU DONATIVO Atualidades Montra de Livros Notícias Textos Relacionados SOS Ciberdúvidas Notícias 2013 07 02 Regresso solidário do Ciberdúvidas Aberturas 2012 09 17

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